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五段砧 - Godan Ginuta

  • há 11 minutos
  • 3 min de leitura

Nessas última semanas, comecei o estudo da peça Godan Ginuta com Kitahara sensei. A peça instrumental de koto foi composta por Mitsuzaki Kengyo e foi escrita para duas vozes de kotos (um mais grave e outro mais agudo). O koto agudo, na escala kumoi, representa o clima e a serenidade do outono. O koto grave, em escala hirajoshi, representa o som do Kinuta.



A origem da melodia

Achei bem interessante como se originou a melodia! Podemos dizer que a peça não é 100% original de Mitsuhashi Kengyo. O honde (parte principal e grave), do primeiro ao quarto movimento, vem de uma peça mais antiga chamada Yodan Ginuta (atribuída a Ikuta Kengyo), e para não bastar, a primeira metade do quinto e último movimento, é emprestada do quinto movimento da famosa peça Rokudan no Shirabe.


Ou seja, a real contribuição do compositor foi compor o kaede (segunda voz de koto) que dialoga com a melodia principal, transformando a peça de shamisen do Yodan Ginuta num duo puramente de koto.



O movimento rebelde: independência do koto

Super interessante, mas apesar de parecer um plágio (brincadeira!), historicamente, essa composição é muito significativa! Até o período em questão (aproximadamente 1830), o koto vivia praticamente subordinado ao shamisen dentro do estilo jiuta. Mas por volta desse período, os músicos cegos profissinais já sentiam que a técnica do shamisen e a forma tegoto tinha atingido seu ápice e não havia muito como inovar.


Foi nesse contexto que Mitsuhashi Kengyo começou a compor peças (Godan Ginuta e Akikaze no Kyoku) somente para koto e sem depender do acompanhamento de shamisen, começando um movimento revolucionário para a época chamado de shin-sokyoku (ao pé da letra, novas canções de koto).


Para a época, isso foi tão pesado que ao publicar essa obra, ele teria provocado a ira do Shokuyashiki - a "sede administrativa" que regulava os músicos cegos e concedia o título de kengyo - resultando na queima do seu tratado teórico "Sokyoku Hifu" e seu banimento de Kyoto.


Portanto, Godan Ginuta não é só uma peça bonita sobre o outono em Kyoto, mas sim uma peça manifesto de um movimento de reforma musical que custou a carreira e talvez até a própria vida do compositor, pois segundo fontes, ele teria morrido em difíceis condições na região de Hokuriku.



O que é o Kinuta?

O Kinuta (lê-se ginuta quando está acompanhado de outra palavra) é uma peça de madeira utilizada antigamente para bater um tecido com o objetivo de amaciar, tirar vincos e dar brilhos ao tecido, processo realizado principalmente no outono, antes do inverno, quando retiravam do armários as roupas para o frio.


O som do bater espalhava-se pelas noites de outono e por isso virou um símbolo musical bem estabelecido na estação. E esse som repetitivo e percussivo virou uma imagem sonora recorrente na música, poesias japonesas de waka e peças de teatro noh, muito associada à saudade e o trabalho doméstico solitário quando a esposa esperava o marido ausente.





Que música acompanha Godan Ginuta na partitura?

Quando comecei a treinar com a sensei, ela me disse para abrir a página 7 e começar a treinar a partir daí. Mas vi que do início até aí, existia uma música cantada e fui perguntar para o Utanoichi sensei o que era porque ninguém entendia o motivo dela estar lá.


De acordo com ele e algumas referências que encontrei na internet, a parte inicial que está na partitura não é uma "parte" integrada à composição de Mitsuzaki, é emprestado de outra peça: o Sandan Jishi de Sayama Kengyo. O motivo é que antigamente, tinha-se o costume de ter um prelúdio antes da música principal e pegou-se um trecho da música Sandan Jishi, que era para shamisen, transcreveu-se para koto e anexou-se sua parte cantada e o tegoto (solo) - tanto que podem reparar que não está a parte final cantada.



Fontes

Aulas de Kitahara sensei e Utanoichi sensei


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